Histórias de busu
Era sábado, mais ou menos 15 horas e o sol resolveu voltar a castigar, lá estava eu, sentado no ônibus, tentando imaginar porque o cliente que passou a semana inteira insistindo que uma reunião presencial era muito importante para o projeto, simplesmente não apareceu, quando reparo que algumas cadeiras a frente tinha um cara comendo a marmita e jogando no chão os temperos, provavelmente não era muito fã de tomates.
Fiquei imaginando o que levou aquele cara a resolver comer a comida, requentada pelo sol, provavelmente azeda, dentro do ônibus. O que pode ter impedido de comer antes? A fome era tão grande assim que ele não poderia deixar pra comer em casa? E porque diabos o FDP esta sujando o “busão”, será que em casa ele joga o que não quer comer no chão ou separa no cantinho do prato?
Não sou de me meter na vida alheia e normalmente essas coisas não me chamariam tanta atenção, mas realmente fiquei inquieto com a situação e tenho certeza que não fui o único, pois realmente era uma cena de dar nojo ver aquele cidadão comer, isso sem falar no mal cheiro que exalava daquele pote de sorvete utilizado para armazenar a comida.
Alguém precisava orientar aquele rapaz, então levantei e calmamente sugeri que ele deixasse para comer quando chegasse em casa. Com a sutiliza nata de um elefante ele recomendou que eu voltasse ao meu lugar, então pedi que pelo menos parasse de jogar restos de comida no ônibus porque a sujeira e mal cheiro estavam me incomodando, então ele sorriu, meteu a mão na comida e em seguida limpou na minha camisa.
Puts, o cara limpou a mão na minha camisa!
Respirei fundo por um momento, olhei bem nos olhos dele, mordi os dentes e voltei pro meu lugar.
Quando o dono da marmita desceu do ônibus o pessoal começou a falar sem parar… “que absurdo”, “falta de educação”, “respeito” e blá blá blá, mas a verdade é que terminei me lascando por conta da minha boca grande.
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